terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Abordagem Tardia

Estaciona na diagonal e os quatro descem. A garrafa de cerveja em cima do carro e os copos nas mãos. O de xadrez termina um cigarro e imediatamente retira outro do maço já no fim, acendendo-o com a bituca do anterior pois o isqueiro deixou, a pouco, de funcionar. Oferece ao de boné e ele recusa. Dois deles, o de boné e o de pólo, ficam encostados no carro. Enquanto os outros dois, o de xadrez e o de branco, se sentam na sarjeta. Um tópico chega ao fim e um momento de silêncio se inicia. Surge o desconforto, proveniente das palavras ainda não ditas e do momento oportuno recém criado. O de xadrez aguarda o que sabe estar por vir, de braços cruzados e olhos mirando o chão. O de branco começa timidamente a tocar no assunto. O de xadrez se agarra com força à deixa, e uma torrente de explicações e pedidos de desculpas se inicia. O de boné e o de pólo saem andando, a fim de dar aos outros dois um instante reservado. Eles então se levantam, o de xadrez toma o lugar dos outros se encostando no carro e o de branco fica em pé na frente. A conversa se estende por um longo tempo e tem como ponto alto, o momento em que o de branco diz ter se decepcionado, acima de tudo, com a falta de coragem do de xadrez em abordar o assunto. Instantes depois, o de boné e o de pólo voltam e passam a participar. Um detalhe anteriormente desconhecido faz com que o quadro se torne ainda mais crítico. Mais pedidos de desculpas, alguns comentários e esclarecimentos e o assunto chega ao fim. 


A abordagem foi tardia mas finalmente aconteceu. E isso não significa que ambos saíram satisfeitos com o desfecho da conversa. Também não significa que o de xadrez obteve, por fim, o perdão do amigo.

PS: Sim, este é, aparentemente, o fim da estória cujo relato teve início neste post.

7 comentários:

William Garibaldi disse...

O de xadres não é o único a errar Warehouser... nem deve deixar sua tristeza o sufocar.. suas duvidas o deixarem desgovernado.. pois ele possui a verdade morando dentro do seu coração... porque não a escuta...?

Come frango xadres no jantar solitário..
arrisca um verso.. fuma para ser poeta francês...
finge que não chora... disfarça que não goza louco ao me ler...!

Dan disse...

bom, espero que tudo tenha se acertado. E que "o de xadrez" tenha ficado pelo menos, mais aliviado!

Espero as próximas notícias!

:)

Lobo disse...

Tô confuso, muita gente!

Mas sei lá, não gosto dessa coisa de perdão, pedidos de desculpas formais... acho que essas coisas nós vemos nos olhos quando se sucedem ou não.

Essa coisa de "ter que perdoar ou não" acaba criando meio que uma relação suspensa que não é nem boa nem ruim com a pessoa, que poderíamos simplesmente deixar pra lá ou cortar de vez e dar um desfecho definitivo para a situação.

Um beijo proce!

FOXX disse...

nossa! precisei mesmo ler o outro texto pra entender, e continuei voando... hehehe


sobre seu comentário no meu blog...
infelizmente não estou sozinho por opção minha, estou sozinho por opção dos outros.

Mari Amorim disse...

Eu entendi tudo... Desde do começo! Na parte do "de xadrez que pegou outro cigarro do maço" ixxxxi então... nem se fala!
Não que vc seja previsível, Dr. House, é que eu já o conheço mto bem, não?
O de branco, bem, esse eu tenho lá minhas dúvidas. Eu sei que a sua lista de bons amigos não é mto grande, afinal, vc não seleciona qualquer porcaria p/ sua roda de papos, sendo assim, elimino quase 50% das pessoas que pensei. Também tem o fato do "de xadrez ter oferecido cigarro para o de branco" o que elimina mais uns 20% dessa lista. Fora o fato de estarem juntos p/ beber... Portanto, há algumas pessoas em mente. Há talvez duas ou três.

Mas quer saber? Foda-se! O importante é que o 1º diálogo pré e pós perdão já aconteceu, o que dá boas chances ao "de xadrez" continuar essa amizade sem nenhuma cicatriz profunda.

Ok?

Beijos, Dr. House! Inté

Mari Amorim disse...

CORRIGINDO:

Eu disse "que o de xadrez oferece cigarro p/ o de branco", na verdade é p/ o "de boné".
Uma confusãozinha só p/ esquentar a noite. ;D
É só uma pessoa a mais na lista...

inconstanteblog disse...

Me parece que a culpa carregada pelo ser errante é intensificada pela falta de perdão do outro.

Honestamente, não sei se acredito em perdão. Perdão mesmo, sem rancores, por mais que internos e nunca externalizados.

Mas boas relações são capazes de superar isto quando o arrependimento é verdadeiro e a intenção é mútua.

Boa sorte, plebeu errante! =P

E um xêro!