quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Réveillon In 5 Steps

Faça do seu, um Réveillon diferente em 5 passos.

- Abandone aquela parada clichê de usar branco:
Sinta-se a vontade para botar aquela camiseta preta surrada da sua banda favorita (recomenda-se principalmente aquelas bem sinistras e sangrentas de Death Metal). Ou pode optar também por uma com uma cor bem cheguei, bem gritante; Amarelo-canário, azul-calcinha, verde-catarro ou o bom e velho vermelho-tragédia. A cor que lhe agradar mais, se preto-heavy metal não for a tua praia.

2º - E falando em praia, abandone aquela parada de réveillon na praia:
Esqueça aquela mania que as pessoas têm de ir passar a virada na praia. Aquele aglomerado de gente descalça (a não ser é claro pelas moças que inventam de por salto alto pra pisar na areia!), bebendo espumante, e jogando oferendas para Iemanjá. Tenho o maior respeito do mundo por todas as crenças, mas não acho legal a ideia de ficar jogando coisas no mar, que já tem lixo suficiente. Na moral, se o que você quer é ver os fogos, não esquenta, dá pra ver de outro lugar, o céu tá em toda parte. Faça diferente dessa vez, escolha um lugar mais interessante, único, um que seja mais a sua cara. 

- E falando em espumante, abandone essa parada de champanhe:
Beber champanhe no réveillon é meio que tradição. E se você, como eu, não é de seguir tradições e não faz ideia porque esta do espumante existe, vá beber o que lhe agrade mais. Tem tanta coisa melhor pra beber, tanta coisa mais gostosa, mais alcoólica. E convenhamos, champanhe é só mais um rostinho bonito, só tem visual, não é lá aquelas coisas. Sou muito mais uma cerveja bem gelada, um gin daqueles que esquentam o peito inteiro num só gole, álcool é comigo mesmo.

- Abandone aquela parada de fazer promessas:
Nem pense nas famosas listas de promessas de fim de ano. As pessoas têm um ano inteiro para fazer coisas, prometer coisas e cumpri-las, por que apenas no fim do ano resolvem por à mesa aquilo que fizeram, querem fazer, precisam fazer e devem deixar de fazer? Você sabe o que andou fazendo de errado e se quer parar de se enganar e de se fingir de cego, simplesmente pare de fazer. Não fique prometendo coisas, pois se você não conseguir cumpri-las é fracasso e conquistas não previstas serão sempre 100% lucro.  

- Abandone aquela parada de se obrigar:

- Tome coragem e diga às pessoas a verdade, deixe de aturar aquilo que elas fazem com você que você odeia mas sempre aguentou calado. Deixe-as saber quando você gosta delas e quando você não as suporta.

- Não se segure se estiver morrendo de vontade de encher a cara de cerveja (ainda mais quando todos seguram com os dedinho levantado suas taças de champanhe de merda), beba mesmo e com vontade. Afinal, tem ocasião melhor pra se embebedar do que festa?

- Chega de se matar nesse emprego que não faz sentido algum na sua vida, vá atrás do que realmente lhe faz bem, vá fazer aquilo que lhe dá prazer, aquilo para o qual você veio ao mundo. Ocupe seu tempo fazendo coisas que seu corpo pede e sua alma deseja.

- Viaje! Vá conhecer lugares novos, novos ares, pessoas diferentes, não há dinheiro mais bem investido que aquele que você gasta viajando (conheça primeiro seu próprio país, você pode ser surpreendido). E acima de tudo, não há dinheiro no mundo que pague as experiências que se obtém numa trip daquelas.

- Não faça o que não gosta e não quer. Faça tudo aquilo que tiver vontade, cada pequena e idiota coisinha que te der na telha. Quer pular de bungee junpping? Então pule! (apesar que esse é um desejo radical um tanto ultrapassado e nem tão radical assim). Escreva um livro, plante uma árvore, tenha um filho (de preferência, adote), pois aqui todos os clichês são permitidos, tudo o que quiser fazer é permitido.

- Ame loucamente, desesperadamente, absurdamente, e todos os mentes que lhe vierem à cabeça. Permita que seus sentimentos aflorem, nunca os reprima. Ame as pessoas, ame as plantas, ame os animais (até os que têm muitas pernas e os que têm pele gosmenta e fria)! Ame muito e faça muito amor, do jeito que gosta de fazer, com quem gosta de fazer, em lugares que já fez e principalmente nos que nunca fez. Amar é tudo, é para isso que existimos, pode crer!

Opa, peraí!

O 5º passo parece uma lista, não? E o que eu disse sobre listas de promessas? Ah, sim. Pois não é, não é uma lista de promessas, não é um clichê de fim de ano. O 5º passo não é pra prometer nada, é pra fazer. Não é pro reiveillon não, é pro ano todo, pra vida inteira. E acima de tudo o 5º passo é o de minerva. Ele se sobrepõe a todos os outros, pois nele você se permite fazer tudo o que quer fazer. Nele você pode ser clichê sim e daí? Nele você pode usar branco, passar o réveillon na praia, beber champanhe e fazer promessas, desde que isso seja o que você quer fazer.
Os quatro primeiros passos são opiniões minhas, ou seja, não têm importância alguma para ninguém. A não ser para mim, é claro. Pois é assim que meu réveillon vai ser, é assim que eu quero que seja, é assim que faço o que eu quero fazer.

Feliz Ano Novo!     

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Post Pré Pago ( ou Papo Pós Natal)

O natal passou, muito bem por sinal, e trouxe como ressaca muita conversa, muito papo. E se tem um coisa que eu gosto é de um bom papo. Ontem mesmo conversei bastante com pessoas que tiveram suas bases abaladas pela tsunami que conhecemos aqui no ocidente como Natal. Uma das conversas eu resolvi compartilhar, talvez eu compartilhe as outras depois.
As legendas são as seguintes: M é minha amiga, uma das grandes. F, é claro, sou eu. Coloquei só a minha inicial apenas para seguir a linha do diálogo e não para "preservar minha identidade". Afinal, meu endereço de twitter está bem aqui à direita, sendo assim, meu nome e identidade não são secretos.

F: Fechei sem querer, o que tinha depois do vídeo da xuxa?

M: Eles circulam em volta fazendo um sensacionalismo e tanto.

F: Aah mas é claro, tudo que envolve nomes conhecidos rola dessa forma.

M: O vídeo mostrava o final da apresentação que ela fez na véspera de natal, ela faz uma cruz invertida e uma mão chifrada.

F: Aff...

M: Só que a "mão chifrada" em libras quer dizer eu te amo.

F: É, por isso eu ignoro essas coisas.

M: Mas daí, nos outros vídeos (não me contentei em ver só um sobre isso) eles falam que quem criou a linguagem para surdos e mudos foi uma mulher que participava de uma seita, aí fico sem escapatória...

F: Aff, que bobeira.

M: Eles falam que as torres gêmeas não caíram por causa dos aviões. Da Xuxa eu acho bobeira mesmo mas das torres, sei não, eles mostram num documentário legendado dizendo que as torres foram explodidas.

F: Eu faço o seguinte, não me preocupo, não dou atenção, nem ocupo minha mente de coisas ruins. Não fico no será que é ou não é, quando o assunto é tragedia ou essas coisas assim.

M: Ahh Fer, eu também não gosto muito dessas coisas, mas é interessante e sei lá, parece real. Eles falam no caso que, as torres foram explodidas porque os EUA queriam de alguma forma começar uma guerra e assim pegar o petróleo dos iraquianos.

F: Aah sim, isso eu acredito também. Isso é fácil até demais de acreditar. Digo quando a parada é ficar falando que é coisa do capeta, de seita satânica e não sei o que mais, isso sim eu acho bobeira.

M: Ahh, sei lá.

F: Eu não acredito no diabo.

M: Você ainda não tem uma opinião definida sobre Jesus, mas eu tenho + ou - algumas em mente, e se Jesus foi tentado pelo diabo nos 40 dias que ele ficou no deserto, por que ele não estaria aqui entre nós. Assim como Deus está?

F: O diabo? Aah não, mas aí envolve historia bíblica, e eu acho que minha opinião é um pouco mais formada a respeito da bíblia. Acho que realmente não acredito nela.

M: Não acho certo a pessoa ficar colocando a culpa no diabo, tipo fui possuída e não vi o que estava fazendo... Mas acho que de certa forma, ele influencia quando o assunto é maldade. Eu também não acreditava, aliás, não sei se acredito mas preciso lê-la, assim terei conhecimento do que ela diz.

F: Eu também, preciso ler pra ter uma opinião 100% formada.

M: Pois é, a K, que trabalha aqui, é adventista e há 10 anos é vegetariana. Ela era rockera, morava em São Paulo e não acreditava em Deus. Conheceu o R e se casaram, quando eu disse a ela que não confiava na Bíblia porque ela tinha sido escrita por homens, ela me perguntou se eu já havia lido, (E é claro, nunca li, só alguns trechos) então ela disse: Leia, para tomar conhecimento do que você critica. Só que cadê coragem?

F: Por isso fico geralmente quieto em relação à ela, apesar de não gostar nadinha da ideia geral, toda alegórica e, se interpretada rasamente, diz coisas pavorosas.

M: Então... eu não sei o que sou não. Confio em Jesus, mas tem coisas que não acredito.

F: Confio em deus e boa, ou como chamo, Mãe, confio na Mãe e boa.

M: Eu tinha essas coisas místicas comigo... mas agora, depois de ler a Cabana (a culpa é sua e da minha mãe), passei a enxergar somente Deus, Jesus, tento as vezes voltar, sei lá tirar as cartas, acender os incensos, mas não consigo, parecem tão superficiais.

F: Não acho nada superficial, e chamar de Mãe não envolve nada disso, chamo do nome que, pra mim, tem mais verdade e significado, o que me remete maior intimidade, o que me sinto mais a vontade usando.

M: Não tava me referindo à sua opinião, respeito ela e tenho ainda um pouco dela (afinal eu tinha uma baita vontade de ser bruxa) essas coisas não somem da noite para o dia. Estava dizendo que não consigo, fico até triste porque antes essas coisas me deixavam bem, completa, mas agora não, mesmo que eu leia as cartas (coisa que fazia com um manual) isso não vai me satisfazer, entendeu?

F: Claro, e não tem porque ficar triste.

M: Parece que instalaram um chip em mim.

F: Não tem que se obrigar a fazer algo que pra você não tem sentido. Você se preocupa de mais, se satisfaça com o que pra você é verdade. Não precisa ficar tentando enfiar coisas na tua cabeça, sua verdade é o que você precisa pra viver e nada mais.

M: Fer, o mundo tá uma desordem! As pessoas se matam banalmente e matam os nossos animais que tanto tentamos salvar, como posso me preocupar apenas com a minha verdade? Eu preciso de mais, entende?

F: A tua verdade faz com que você não aja como essas pessoas. Precisa de mais o que exatamente? Precisa de respostas? Precisa saber qual é a razão pela qual as pessoas agem assim?

M: Preciso orar por e para alguma coisa.

F: E isso você já não faz?

M: Preciso saber se não seremos massacrados por algum tipo de manipulação, essas coisas. Eu oro sim, mas sei lá.

F: Você se acha assim tão passiva de manipulação? As manipulações já acontecem e você sabe, pois não foi pega por elas.

M: É...mas sabe o que tá me deixando em dúvida? Tenho dúvidas se serei salva, sei lá, acredito nessas histórias de fim de mundo.

F: Eu também, e espero que morra quando ele chegar, não quero fazer parte dos sobreviventes. Isto é, se houverem sobreviventes.

M: Basta praticar o bem, ser cristã, orar pelos outros ou será que tenho que me batizar, fazer parte de alguma igreja? É isso que tá me pegando...

F: Claro que não. Pra mim, basta não fazer mal aos outros.

M: Também me bastava, mas aí apareceu o G na minha vida...filho da puta viu. Hoje ele falou comigo aqui no msn, falou um monte de coisas a respeito de Deus.

F: Que ele tem o maior papo eu já saquei, mas o que REALMENTE ele faz pra se achar no direito de evangelizar?

M: Ele escreve mensagens, tem um blog sobre isso, mas ele diz sobre testemunhos de pessoas que tiveram algum milagre. Mas a forma como ele diz me deixa mal, parece que sou um anticristo.

F: Aff, que merda. Pelo amor de deus M ignora essas coisas! Mas que encosto! Já viu encosto ter moral pra falar de deus? Pois eu não.

M: Kkkk, é verdade.

F: Encosto vem se aproveitar da gente e incomodar, vem cutucar a gente. Deus não tem nada a ver com isso, pode crer que deus não manda encosto pra fazer mal à gente.

M: Mas eu disse um monte de coisas pra ele, perguntei quem é ele para julgar as pessoas. Com certeza eu também acredito nisso, eu vejo Deus tão misericordioso, não acho que Ele é prepotente como o G.

F: Claro que não é. E gente que age assim achando que é a vontade de deus, achando que tá "trabalhando pra deus", esses sim é que, como você mesma diz, não será salva. Na minha opinião, você deve ser mais firme com suas verdades. Não tem que se deixar abalar por esse tipo de coisa. Não achar que o seu modo de agir é correto e condiz com o que pra você é certo te faz muito vulnerável!

M: Brinquei com a minha mãe que é a 1.2 evolution.

F: Hã?

M: Eu disse que tudo isso, (G, C, esses babacas todos) é passado, que a M 2010 mudou muito e que em 2011 vai mudar mais ainda. Que vai ser uma M evoluída, entendeu? Ou quer que eu desenhe?

F: Huahuhauha, saquei. E olha o tom ofensivo hein! xD Permite que nossa conversa vire um post?

M: Uai, pagando bem que mal tem? Kkkk

F: Hauhauhauhauhauah. Foi pré-pago, paguei com conselhos que dei. xD

M: Tudo bem, eu permito. Você se safou dessa

F: Eu sempre me safo ;)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Selado!

Eis meu presente de Natal! O Will, do Versos de Fogo recentemente foi contemplado com o selo Este Blog Tem Sabor, do blog Sabor da Letra. E, como o contemplado tem autonomia de indicar outro, ele "passou a faixa" para mim! rsrs


Obrigado Will! Teu blog é realmente uma delícia e faz jus ao nome, é sempre bom ser surpreendido por um post seu. Obrigado pela presença e por lembrar de mim nessas horas. Sou novato nesse universo paralelo que é o Blogworld e já me sinto em casa. Não tem nada mais gostoso que compartilhar as palavras com os outros e desfrutar das que eles têm para dividir. Muito fogo pra você Will, e pra todos que acompanham o Warehouse.

E optemos sempre por:
agregar ao invés de segregar,
celebrar ao invés de se lembrar,
e ser essência muito mais!
(Fernando Anitelli)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Clichê Natalino

O natal chegou, está aí e não tem mais como fugir. Bom, na verdade até tem e algumas pessoas o fazem. Existe gente que passa o natal sozinho, por opção ou pela falta dela. É, na minha opinião uma época densa e opressora, cerca as pessoas e as joga contra a parede exigindo presentes, perdões e promessas. Recai sobre elas um turbilhão de sentimentos que deixam parte (ou a maioria) delas sensíveis e instáveis, não é a toa que nessa época estão os mais altos índices de suicídio do ano. Se espera de nós que deixemos um hábito, façamos uma lista, doemos alguma coisa, perdoemos e sejamos perdoados. Ora, e não deve-se agir assim o ano todo? Ou apenas uma vez por ano é suficiente? Soma-se a carga de um ano para que a atitude de mudança seja visualmente maior, o que é completamente aceitável, nós seres humanos temos mania de nos enganar. Vejamos cada caso separadamente:

Pessoas que se isolam nessa época do ano, o fazem para não ceder a essas implicações natalinas. Algumas por não ter mesmo opção, não ter com quem passar o feriado e coisas do gênero. Mas a maioria certamente o faz para não ter que prometer mundos e fundos, não ver os parentes que com certeza só farão julgar, não perdoar aquele que as feriu de uma forma que julgam imperdoável e não pedir perdão por aquilo que sabem que não têm culpa. Esse particularmente, ser obrigado a fazê-lo fere demais o orgulho e a consciência. Para alguns, essa é a única época do ano em que vêm os parentes, dos quais se isolaram por um motivo e, sendo natal, terão que obrigar-se a enfrentar horas dolorosas em companhia deles.

Mas não há só os que o encaram como uma tarefa árdua, muitos adoram o natal e tudo que vem com ele. Adoram a decoração, as luzes, o velho de barba branca tirando fotos com criancinhas no shopping, os presentes, a comida, as ofertas, a síndrome de solidariedade e principalmente as situações melodramáticas de perdão mútuo. Têm, simplesmente, tara por aqueles momentos da festa em que as pessoas, já sendo guiadas e incitadas pelo álcool, começam a trazer à tona desavenças antigas, assuntos mal resolvidos, e a admitir rancores guardados e mágoas. Para daí então começar a aceitar os pedidos de perdão dos outros, pedir os seus e por fim, chorar. Uma cena aguardada, pois agir assim o ano todo não tem graça e tira a diversão do natal, não é?

As pessoas reagem a momentos de, digamos, pico sentimental de maneiras diferentes. Algumas conseguem passar por eles sem sequelas, outros também conseguem, porém não ilesos. E por fim existem aqueles que simplesmente não conseguem, aqueles que compõem os índices de suicídio natalino. Só o que se pode fazer a respeito é não julgar. Atitudes radicais e desesperadas são incisivamente atacadas pela maioria das pessoas, como se elas fossem, de alguma forma, imunes às mesmas. O que é simplesmente injusto. Posso dizer que uma de minhas qualidades é a empatia. Fui ensinado desde muito cedo a me por no lugar dos outros antes de julgá-los e disso eu nunca me esqueci. É preciso ter a consciência de que tudo ocorre de maneira diferente para cada um e somos passivos a passar por tudo aquilo que julgamos.

Quanto ao suicídio, compreendo mas não faria. Quanto ao natal, apesar das palavras amargas, gosto dele, mas não comemoro (uma vez que não sou cristão nem consumista). Gosto pois não trabalho no dia, curto minha família, vejo alguns que não via há tempos, como e bebo bastante e as vezes até ganho presentes. Não faço listas, não abandono hábitos nem prometo nada. Sou no natal exatamente como sou o ano inteiro. Feliz Natal!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Protótipo, Teste, Rodoviária.

O post de hoje é um protótipo, um teste, um desafio que o Will me propôs. Ele pediu que eu escrevesse em verso, coisa que não faço. Então sejam, por favor, na crítica sinceros e bondosos com o iniciante aqui. Em minha defesa eu digo, antes de qualquer coisa, EU TENTEI. rsrs

Sentado no banco, a espera da condução, vejo gente que vem e vai, pra
lugares que não conheço, de lugares que nunca vi, que
um dia conhecerei ou nunca o farei.

Gente que não sei o nome, idade ou preferência musical, não sei se está
indo ou voltando, daqui fugindo ou para cá, se mudando.

Sei que aquele tal, que vejo logo ali na frente, que por vezes troco bom dia ou
mais, tem presença passageira na minha vida, comprou dela passagem só de ida.  

Sei porque contento, com a mania do mundo de nos dar e tirar, mostrar e esconder, 
fazer permanecer só aqueles que precisamos pra viver.

Aqueles que de nós também precisa, pra um conselho nosso, um abraço, uma ajuda,
pra algo descobrir, enxergar, corrigir.

Sentado no banco, a espera da condução, pras pombinhas jogo migalhas,
pois nessas eu boto fé, estão sempre aqui rodeando meu pé.

Pois em mim fé também botam, sabem que de mim sempre terão atenção,
um pedaço de salgado, uma migalha de pão.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Questão de Percepção

Todo esse espesso clima natalino está recaindo sobre mim. Não entendo muito de natal e, como eu disse pra Lua ontem de manhã, "sempre o enxerguei como apenas um grande feriado, com proporções mundiais e muita movimentação. Muita compra, muita venda, um reboliço no comércio." Nunca parei para pensar a respeito do que a data realmente significa. Não sendo católico, ou cristão, não comemoro o nascimento de Jesus Cristo, e sendo mais ligado nas paradas místicas e pagãs, gosto de pensar que é verdade que o natal é mais um sabbat, ou até mesmo que é o nascimento não de Jesus e sim de Hórus.

Então, hoje fiquei com vontade de falar de Deus. Estranho né? Mas não se preocupe, não pretendo evangelizar ninguém, imagine só, eu? Propagando a fé entre os povos? Ah, corta essa. Não é sobre isso que o post se trata, definitivamente. Usarei o termo Deus como definição mais genérica, a fim de englobar a todos, independente dos diversos nomes que lhe são dados. Ao passou que eu mesmo não chamo a força maior de Deus, apenas uso as expressões "Ai meu deus" ou "Pelo amor de deus" de maneira, digamos, leviana. O que é, pelo que dizem, usar o santo nome em vão. Mas não me importo, não acredito em pecado, não tenho medo das palavras e menos ainda de usá-las. Nasci em uma casa católica, na infância fui obrigado a frequentar a igreja e a catequese, demorou para meus pais perceberem que me obrigar era totalmente inútil. O que é verdade para mim, é. O que não é, não perca seu tempo tentando me provar o contrário.

"""" Não posso deixar de dar um exemplo magnífico de como sou teimoso e como meus pais sofriam para me moldar. Quando criança, eu não comia vegetais. Nenhum tipo de verdura e dentre os legumes, apenas batata. Eles me colocavam de castigo, tiravam privilégios e diversas vezes colocavam o prato na minha frente dizendo que eu só iria deixar a mesa após ter comido tudo que tinha nele. O resultado disso era: 1) Eu passava a tarde toda na mesa, em frente ao prato e por muitas vezes acabei dormindo nele. Ou 2) Eu comia forçado e vomitava tudo, no ato. Isso perdurou por muito tempo, não era nada bonito de se ver, até que um dia eles desistiram. E então, aos 16 anos, me tornei vegetariano (amo os animais, não consigo conviver com a culpa de ser responsável pela morte deles), para alegria dos meus pais? Não! Passei a comer vegetais e deixei de comer carne, ou seja, refeições VIP. Virei a casa de pernas para o ar, demorou para que eles se acostumassem à ideia, só agora, após 3 anos, tudo está numa harmonia, numa sincronia incrível. Um tanto irônico. """"

Continuo não acreditando nas instituições religiosas, na bíblia, no pecado, no inferno e no diabo. Mas em um ser superior, em espíritos e em projeção astral, eu acredito. (Sou bastante contraditório as vezes ;D) 
Sobre Deus, gostaria de abordar as razões que levam as pessoas a acreditar ou não. Eu, particularmente acredito. E acredito também que, essas razões, vão além do simples só acredito no que eu vejo, além dos adeptos da teoria evolucionista. Eu por exemplo, acredito em Deus e na teoria evolucionista, mas isso é outra história. Convivo com ateus, os compreendo bem, acho que eles tem todos os motivos para não acreditar em Deus. Assim como, tenho nítidos, meus motivos para acreditar. O mundo nos mostra um quadro de abandono, que torna extremamente difícil acreditar que existe algo maior por traz de tudo isso, algo interferindo nos acontecimentos e nas vidas. Por isso, acreditar ou não, tem pra mim muito mais a ver com percepção, daí veio o seguinte tweet:

São dois os fatores determinantes para que uma pessoa acredite ou não na existência de Deus: Sua percepção de mundo e sua percepção da própria vida.

É muito mais fácil enxergar os desastres, a fome, as mazelas da existência na Terra. Eu mesmo tenho essa facilidade, sinto pela humanidade, asco, na maioria das vezes. Mas por outro lado, quando ponho à mesa a minha existência, a minha vida, o que tenho, a quem tenho, de onde vim, aonde posso chegar. E como por milhões de vezes, algo ruim que acontece poderia ter sido muito pior e como depois que a poeira baixa, encontramos o motivo pelo qual o mesmo aconteceu e o benefício que trouxe. E por outro lado também, em oposição às mazelas do mundo, acredito que há algo maior que nós, maior que nossa compreensão, que a ciência nunca explicará. Acredito piamente, quando vejo no meio dessa selva de pedra, uma plantinha que brota em meio às fissuras do concreto, um pássaro que pousa nos fios elétricos dos postes e ainda encontra motivo para cantar. Acredito piamente, quando ouço uma criança de rua dizer que gostaria de ser rica, para poder dar casa, comida e amor para todos que precisam.

*Esse fim de semana estarei ausente, vou prestar a segunda fase do vestibular. Espero voltar com boas notícias. Um bom fim de semana pra vocês!*

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Líquido, Sólido e Gasoso

O tempo hoje está de um jeito que não costuma estar, está de um jeito que eu adoro que esteja. São raros os momentos em que, o clima de minha cidade, deixa de ser O Inferno de Dante para ser As Brumas de Avalon. Não tem nada melhor que essa vibe de tempo nublado; o sol se escondendo por trás das nuvens espessas que ameaçam derramar água a qualquer instante, mas não o fazem. Um ventinho frio, um ar geladinho tão gostoso de respirar. Um resquício de uma névoa charmosa no começo da manhã, carros e plantas salpicados de orvalho e o melhor: Nada de suor! (Transpiro fácil, e não tem nada que me deixe mais puto que suor).

O clima perfeito me fez acordar pensando nos estados da matéria, pois esse clima remete à água e água remete, imediatamente (pelo menos para mim), aos estados físicos da matéria, pois ela é usada como exemplo quando aprendemos isso nas aulas de química. Líquido, sólido e gasoso. Cada um com seu ponto de fusão, solidificação, ebulição, condensação, etc. Uma vez que também somos matéria, também temos nossos estados, (não físicos e sim psicológicos, nesse caso) então logo me lembrei do seguinte tweet:

O estado que nos encontramos interfere significativamente na maneira com a qual vemos as coisas e as pessoas. Bom hoje pode ser ruim amanhã, bonito hoje, feio amanhã, interessante hoje, tedioso amanhã. Mas não culpemos somente o nosso estado; há quem faça questão de ser tedioso diariamente.

De uma forma ou de outra, nada que presenciamos (nem ninguém), é considerado por nós imparcialmente. Situação, humor e carga pessoal compõem nossa visão das coisas. Uma situação líquida, um humor sólido e uma carga pessoal gasosa fazem com que qualquer coisa seja totalmente desinteressante, qualquer beleza totalmente ofuscada, tudo fica ruim.

Assim como a matéria, somos influenciados por inúmeros aspectos e, diferente dela, temos a opção de permitir ou não que tais influências tomem as rédeas das situações. Dá sim para baixar a temperatura, a fim de impedir uma ebulição desnecessária em certo momento e também dá para aumentar a temperatura no hora de lidar com as pessoas, evitando a solidificação, que na pior das ocasiões pode se tornar permanente.

É só querer, temos autonomia para fazer com que nossos estados não nos ceguem completamente. Temos capacidade de domá-los até ter tido contato suficiente com a pessoa ou coisa, para por fim obter seguras conclusões a respeito da mesma. O final do tweet é satírico pelo fato de que às vezes, coisas ou pessoas, conseguem fazer com que percamos o controle de nossos estados, fazem questão disso. E nesses casos sim, solte as rédeas, deixe rolar tudo, ferva, petrifique, derreta!

É importante que saibamos que estamos no controle de nós mesmos a ponto de abster-se e desobrigar-se. E é mais importante ainda, que saibamos enxergar quem ou o quê merece nossa abstenção ou desobrigação.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Quanto ao Hábito (Ou E=Mc²)

Tenho o mau hábito de assistir e ler de novo, o que já assisti e li. Quando leio um livro e gosto muito, depois de um tempo ou (na pior das manifestações do meu hábito) logo que termino, sinto uma vontade enorme de ler de novo. Então eu vou, e leio. Quanto a filmes é a mesma coisa, os que gosto bastante, assisto várias vezes.
A causa dessa minha mania vem de outros carnavais. Desde que me entendo por gente (uso essa expressão abusivamente, fazer o que né?) gosto de estar por dentro das coisas. Gosto de saber o suficiente sobre todos os assuntos, o suficiente para participar, argumentar, discutir. Sempre quis ser aquele chato que nunca é pego desprevenido em uma conversa, tirando toda a graça das novidades. Sendo assim, leio e assisto repetidas vezes aquilo que gosto para saber tudo, todos os detalhes, para não me deparar com alguém que comente um ponto do filme ou do livro do qual eu não me lembre. Um tanto quanto infantil não é?

Hoje posso afirmar que esse, que costumava ser o motivo pelo qual eu repetia, caiu por terra. Não deixei de ler e assistir de novo e de novo, mas não o faço pelas mesmas razões que antes. Hoje não há nenhum outro motivo para eu ler um livro novamente a não ser o mais simples. Se gostei muito, leio de novo. Se gostei, quem sabe. Se não gostei, não insisto. Quanto aos filmes, idem. Não me obrigo a saber sobre o que não me apetece, ao passo que as coisas que não me interessam existem em grande número, bem maior do que eu gostaria.

Chamo esse hábito de mau pois, enquanto eu poderia estar lendo/assistindo algo novo ou diferente, estou ingerindo de novo, a mesma história, a qual eu já conheço o começo, o meio e o fim. Isso faz de mim um ruminante, não? Sim, ingerir e re-ingerir o mesmo conteúdo diversas vezes faz de mim, definitivamente, um ruminante. Mas, (retornando ao hábito) apesar de chamá-lo de mau, não movo nem uma palha para evitá-lo. Quem já leu o post "Indisciplinado", sabe a que me refiro. Não me obrigo, não me castro, pelo contrário. Apenas me permito. Pode crer que agir assim torna as coisas muito mais fáceis, prazerosas e simples.

Esse modo de agir e ser, se torna ainda mais recompensador quanto maior for a complexidade e a proporção de onde o aplicamos. É incrível o fato de que um hábito ruim, uma atitude aparentemente negativa, analisando suas implicações em outros aspectos, se torna boa, positiva. Hoje vi a Lua escrever sobre as facetas das coisas e quanto a isso eu concordo fervorosamente. Se há algo que digo sempre, direi agora e me ouvirão dizer de novo, diversas vezes e em diversas ocasiões, essa coisa é a seguinte:

A única verdade absoluta é a relatividade.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Aspirante a Almoço e a Série

Por esses dias, tenho tido meu horário de almoço drasticamente reduzido. Tenho exatos 20 minutos para comer antes de atravessar a cidade para fazer aulas de direção. Sei que soa dramático, essa é a intenção. Se tem uma coisa que não gosto que metam o bedelho, esse coisa é, definitivamente, meu horário de almoço. A cruel redução do tempo que tenho para comer (1h45 minutos para 0h20 minutos) me deixa puto. Mas como não tem nada que eu possa fazer a respeito, encontrei uma ótima forma de cronometrar esse meu tempo cravado. Assisto enquanto como um episódio de uma das séries que mais gosto; The Big Bang Theory. Cada episódio também tem 20 minutos, sendo assim, quando ele termina, sei que meu tempo acabou, que já está na hora de ir. Quem está familiarizado com a série, sabe que ela é o máximo, e quem não está, recomendo que assista.

A série está na temporada nova, isto é, episódio novo só rola uma vez por semana. Eu como já vi todos e gosto muito, assisto episódios repetidos (sim, tenho esse hábito, vou falar sobre ele depois), principalmente nesse aspirante a horário de almoço que ando tendo. O episódio que vi hoje, o 03º da 03ª temporada, tem uma cena hilária, a qual eu não resisti e resolvi compartilhar:

Sheldon acorda intrigado com a origem do som alto, definitivamente proibído em seu apartamento, e se depara com Penny, fazendo torradas e cantando, na cozinha.


Penny: Bom dia Sheldon! Venha dançar comigo!
Sheldon: Não.
Penny: Por que não?
Sheldon: Penny...mesmo sendo adepto da teoria dos vários universos, em que há infinitos Sheldons em infinitos universos, te asseguro que em nenhum deles eu estou dançando.


Penny: Você é engraçado em algum deles?

Sheldon: A matemática sugere que em alguns sou um palhaço feito de doces. Mas não danço.

Espero ter arrancado ao menos um sorrisinho torto de alguém, mas não se preocupem, a série em sí é muito mais engraçada. Até o próximo post e, como prometido, vou falar da minha mania de repetição e aproveitando este, quem sabe futuramente eu fale sobre dançar e o motivo pelo qual eu, na maioria das vezes, não danço.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Alforriado

Todos os dias madrugo de má vontade. Ponho-me em pé de minha cama de palha que me espeta as costas e a nuca. Tomo meu café amargo onde falta açúcar e meu pão passado onde falta um recheio melhor. Arrasto minhas correntes para fora da senzala e esbravejo com o sol que tão cedo já me queima a testa e faz arder os olhos.
No almoço tenho fome demais e comida de menos, cansaço demais e descanso de menos. A tarde interminável, nada terna, se arrasta e com ela minhas forças se vão. Cabeça, braços e pernas latejando.  Consciência, alma e orgulho doloridos. Volto para a senzala, cuido das feridas infligidas por minhas correntes e vou para a cama cedo.

Sou um escravo de mim mesmo, vivendo o que não quero, de um jeito que não gosto, pra conseguir o que não basta. Inconsciente ou apenas ignorando a existência de minha alforria.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Neste Dia 30/11

"As boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram qualquer coisa foram as que não tiveram intenção alguma."
30 de Novembro de 1900 - Morre Oscar Wilde, escritor irlandês.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde 


sábado, 27 de novembro de 2010

O Carro, a Motocicleta, o Caminhão

Pela janela entram os sons da rua lá fora. Ouço bem o transito. Consigo até distinguir o carro, da motocicleta, do caminhão. Vez ou outra, escuto o cantar de um pássaro que passa veloz entre os fios elétricos e os postes. Se der uma espiadela rápida ou se ele pousar num dos fios que passam em frente à janela, posso até conseguir vê-lo. Mas isso é vez ou outra. No mais, minha espiadela pela janela só me mostra mesmo o carro, a motocicleta, o caminhão.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Estúpido e o Inteligente

O post de hoje é fruto das barbarias noticiadas recentemente nos jornais.
Nós, seres humanos, em contrapartida com a nossa necessidade natural de viver em sociedade, temos dificuldade de lidar com o novo e o diferente. E, uma vez que ninguém é igual, suprir essa necessidade pode se tornar algo bem complexo, e esse grau de complexidade é determinado pela (vou ser bem raso na definição) inteligência de cada um.
O estúpido, o pouco ou nada inteligente, TEME o novo e o diferente. Ele não faz a mínima ideia de como agir diante e por isso evita aproximação e contato, rotulando o outro como inimigo, mantendo uma distância de segurança e apedrejando de longe. Criticando o que o novo veio fazer e o modo como o diferente se porta, reunindo todos os aspectos dos mesmos e tomando-os como exemplo do que é errado, do que não deve ser feito, e posteriormente transmitindo a concepção aos seu próximos e seus sucessores.
O inteligente, sabe que o novo deixa de ser novo a partir do momento que o conhecemos e que o diferente passa a ser igual quando enxergamos o que temos em comum com ele. Sabe que as diferenças são limitadas e as semelhanças não, e que a diferença traz sempre uma nova percepção de tudo, ajudando a desenvolver e aprimorar a antiga, impedindo qualquer estagnação comportamental.
Daí o seguinte tweet:
Todo preconceito pode ser facilmente exterminado; Sendo ele causado pela falta de contato e conhecimento, só o que precisa ser feito é contatar e conhecer. Daí então, ele passa a se chamar conceito, podendo ser ruim ou bom. Diferente do preconceito, que é sempre ruim.
O estúpido se prolifera com muito mais facilidade, não precisa de muito para existir, por isso ele se encontra em maior número, o que é uma vantagem realmente relevante uma vez que a posição tomada pelo mesmo é de pura hostilidade.
Percebendo-se em vantagem por estar em maior número, sua tendência perante o que teme é o ataque. Atacar violentamente o diferente é a maneira que o estúpido encontra de dizer quem manda, quem está certo, quem tem razão e pressionar quem o faz sentir-se ameaçado. Paus, pedras, balas, palavras e ultimamente lâmpadas, são as armas que o estúpido usa para se sentir seguro. E uma vez que a justiça e o governo são compostos também por estúpidos, os agressores permanecem impunes, reafirmando que é falsa a existência dos Direitos Humanos.
O inteligente se sobressai com louvor sobre o estúpido, mas por estar em número reduzido, não consegue por si só trazer segurança ao novo e ao diferente.
É triste constatar que uma raça que alcança os mais altos patamares de desenvolvimento possa ser tão primitiva em muitos aspectos fundamentais. Como pode o mundo se submeter aos caprichos da estupidez?
Sem respostas, ao menos terminemos com Einstein:
"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito." - Albert Einstein

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Neste Dia 24/11


24 de Novembro de 1859 - É publicado pela primeira vez o livro A Origem das Espécies, do naturalista britânico Charles Darwin (na imagem). http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Origem_das_Esp%C3%A9cies

24 de Novembro de 1991, morre Freddie Mercury, vocalista da banda Queen. http://pt.wikipedia.org/wiki/Freddie_Mercury

Dia de regozijo e pesar.

Tempo Bom Esse Que Não Vi

Aqui sentado nessa cadeira, na frente dessa mesa, onde repousa esse copo, que carrega essa cerveja, que bebo de gole em gole. Aqui, entre essa conversa e aquela, entre esse assunto e o outro, entre esse  papo que vem e aquele que já foi, eu fico a sonhar.

Sonho com um tempo que só ouço falar, um que passou e eu não vi pois não estava lá. Um tempo em que, pelo que dizem por aí, a gente saía do trabalho a pé, encontrava os camaradas nas esquinas e seguia pra o boteco que ficava logo ali na frente. O bom amigo garçom já descia aquela que a gente gosta, naquele precinho camarada que nem esses que sentavam na mesa com a gente e faziam prosa.

Nesse tempo que sonho, também pelo que dizem, quando a cervejinha subia e chegava a hora de zarpar, não tinha perrengue. Era só levantar, pagar a sua ou pendurar e seguir seu rumo, cambaleando pelas ruelas de paralelepípedos sem pressa nem medo.

Correr pra quê? Pra tropeçar nas pernas? Não senhor, devagar a gente chega lá, nada nos afronta, nos impede e nos aguarda. A não ser a cama macia esperando pra a gente arriar nela, toda carinhosa, macia e sempre presente. Isso se o que espera não for os braços, os abraços e o cafuné de quem a gente gosta.

Sonho bom esse, viu. Alegra a ideia, mas depois entristece quando a gente percebe que é só sonho mesmo. Que agora que a cervejinha subiu, vou ali pagar a conta no dinheiro, se não tiver tem que ser no cartão mesmo. E se os camaradas estiverem na mesma e não tiver um pra levar o resto, ou se arrisca com o carro por essas ruas ou chama um táxi que te leva pra casa. E com ele os olhos da tua cara, do preço que ele vai cobrar!

Ir a pé nem pensar, é pedir pra ser roubado. Te levam as calças, as meias e até as cuecas, e não dá não pra ver. Se não lhe quebram a fuça na mão mesmo ou estripam na ponta da faca. Isso quando o bandido já não vem armado até os dentes e já manda uma na testa sem pensar duas vezes.

Ah esse tempo viu, tempo que eu nem vi. Como faz pra voltar nele? Porque esse de hoje, na gente só dá tristeza.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sequer Querer, Por Querer e Sem

O querer já me rendeu muita reflexão, muita alegria e muito desapontamento, assim como rende a todos nós, todos os dias. Nossas vontades refletem o que somos em essência, trazem à tona até mesmo o que perambula pelas mais estreitas e escuras veredas do nosso ser, aquilo que negamos, reprimimos ou até mesmo desconhecemos sobre nós. Controlar o querer é possível para alguns, impossível para muitos e difícil para todos. E não me refiro a apenas desejos por bens materiais, o querer engloba necessidades primárias, carnais, supérfluas, mesquinhas e tacanhas. Liberta nosso melhor e nosso pior, se levarmos em conta os objetos de desejo e o empenho para consegui-los. Pensar a respeito me rendeu mais que o usual, um texto e dois tweets:

Tweet 1: Quando se quer e não se consegue, ou é porque se quer a coisa errada, ou é porque não se está pronto pra receber, penso eu.

Tweet 2: Querer demais aumenta a probabilidade de arrependimento e falha. Ou seja, não há aprendizado melhor do que querer.

Texto:  Eu quero muito... Penso que quero em demasia quando me diminuo ao ponto de humilde, compassivo e satisfeito. Quero ir, quero vir, quero ficar, quero acreditar, quero viver, quero morrer, quero comer, quero dormir, quero beber, quero fumar, quero rir, quero falar, quero ouvir, quero o silêncio, quero áudio, quero vídeo, quero a cor, quero a ausência da cor, quero o vento, quero o abrigo, quero a água, quero a ilha, quero a luz, quero o escuro, quero a terra, quero o rio, quero o fogo, quero não me queimar, quero estudar, quero não ter prova, quero não fazer nada, quero não trabalhar, quero não aceitar, quero não correr, quero enxergar, quero não ver, quero não ser culpado, quero ser reconhecido, quero amar, quero não gostar, quero o paraíso, o inferno e o limbo.
       Eu quero pouco... Penso que quero pouco quando saio de dentro da caixinha e me deparo com minha pretensão, audácia, prepotência e superioridade. Características típicas de minha espécie, me fazendo pensar que mereço tudo que quero. E eu quero.


Cada um desses aborda um aspecto do querer visto de uma forma específica. Mas em ambos deixo a opinião de que deve-se sim, querer e por fim não ter medo de não conseguir. A jornada à galgar por aquilo que se quer será tortuosa e fria, se mostrará no fim recompensadora ou um total fracasso. Mas se não estiver disposto a correr o risco, estagne-se. Fique com o que tem e com o que lhe é dado, nutra seu medo e vete sua possível fonte inesgotável de aprendizado.

*O desfecho deste post fez com que eu me lembrasse do seguinte tweet, o qual não poderia deixar de acrescentar aqui: 

Indiferença, medo: às vezes o médio é vicioso e nos impede de buscar o melhor.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Música 1

Depois de usar o trecho como inspiração para o post anterior nada mais justo que divulgar a banda. Como disse anteriormente The Killers é minha banda favorita. Fato que eu até hoje não sei explicar o motivo, uma vez que a banda não tem semelhança alguma com o que costumo ouvir. Não é rock and roll, não é metal e não é nenhum tipo de folk. É um tipinho leve, com pegada ora animada ora sóbria, letras encorajadoras e que contam sobre casos entre pessoas. Contam sobre atitudes, consequências, vidas e sentimentos banais. Os quais todos sentimos e pensamos sermos os únicos a sentir. Ou seja, diferente de tudo que costumo ouvir. Transcrever The Killers e tentar sabe porque gosto pode levar tempo o suficiente para eu começar a me perder nas palavras e deixar de ser coeso.


O trecho que citei no post anterior é da música Smile Like You Mean It, do álbum Hot Fuss. Segue abaixo a letra da música, a qual optei por não colocar a tradução, pois nela (como na maioria das traduções) se perde muito da intenção da letra e o sentido de muitas sentenças pode ser distorcido.

Smile Like You Mean It


Save some face
You know you've only got one
Change your ways
While you're young

Boy, one day you'll be a man
Oh girl, he'll help you understand

Smile like you mean it

Looking back
At sunsets on the East side
We lost track of the time

Dreams aren't what they used to be
Some things sat by so carelessly

Smile like you mean it 

And someone is calling my name
From the back of the restaurant
And someone is playing a game
In the house that I grew up in
And someone will drive her around
Down the same streets that I did
On the same streets that I did

Smile like you mean it

Oh no, oh no, no no


Uns os chamam de Indie, outros de Alternative, eu os chamo de boa música, o único rótulo que para mim é realmente relevante.

Nulos e Indiferentes

Este vem com os cumprimentos de minha noite passada. Ela foi um tanto conturbada. Acordei algumas vezes, coisa que não costumo fazer, usualmente durmo como uma pedra. Nela tive uma torrente ininterrupta de sonhos, dos quais eu não me recordo de nenhum.


Não sei chamar sonhos de pesadelos desde o fim da minha infância, onde eles eram rotulados em dois grupos de maneira bem simples: bons e pesadelos. Apesar de hoje em dia nunca me ocorrerem sonhos exatamente bons. Não sei porque, mas meus sonhos nunca são legais, prazerosos ou engraçados, são sempre ruins, desconfortáveis e na melhor das hipóteses (não sei se dá pra chamar assim) nulos e indiferentes. Não é algo que eu questione, já estou acostumado.
Nunca havia parado pra pensar sobre o que realmente os sonhos são e para que servem. Até que um dia li em algum lugar que muitas vezes eles são proféticos, abertos a interpretações, e seu conteúdo pode ser resultado de projeções astrais.

Não fiquei muito convencido, mas guardei a informação para posteriormente analisar meus sonhos e ver se encontrava algum fundamento nas teorias que li. Eu, na maioria das vezes esqueço completamente o que sonhei na noite anterior, em outras a lembrança ainda perdura um pouco e nas mais raras o sonho é tão ruim e marcante que eu acabo por não esquece-lo. Assim passei a prestar atenção (quando conseguia lembrar) nos sonhos que tinha, no que continham e se havia algo subentendido entre eles. 
E após não encontrar absolutamente nada que se encaixasse com as teorias, elaborei minha própria, mesmo sem saber o que dizem os neurologistas e afins a respeito do assunto. Ela consiste no seguinte: o sonho é composto por informações armazenadas no cérebro, exibidas de forma alheia ao nexo na qual elas foram obtidas. Como um quebra-cabeça. Forçando-o, você consegue fazer com que as peças erradas se encaixem.

Após uma noite como a passada, essa minha teoria "ceticista" sobre os sonhos veio novamente à tona e implicou no seguinte tweet:

Acho muito ruim não me lembrar do que sonhei a noite. Apesar de pensar que sonhos são apenas informações num fluxo desordenado.

E após acordar, ainda com a péssima noite de sono espiralando na memória, foi o trecho de uma música que ouvi hoje durante o almoço que me levou a escrever esse post. Uma música que gosto muito, de uma banda que gosto mais ainda (minha favorita, pra ser mais exato), cujo trecho diz: "Dreams aren't what they used to be".

E com isso eu concordo fervorosamente, os sonhos não são mesmo o que costumavam ser. Certamente porque as informações armazenadas no meu cérebro mudaram bastante da infância pra cá. Pode-se chamar isso de "ordem natural das coisas", não?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Leitura 1

Há algum tempo atrás me interessei muito pelo título de um livro que encontrei em uma de minhas visitas à biblioteca do Senac. O título "Como Me Tornei Estúpido" me fez rir a princípio, fiquei curioso em saber do que se tratava e levei-o para ler.


Mais que recomendado, a seguir meu trecho favorito da obra:

Sempre parecera a Antoine contabilizar sua idade como os cães. Quando tinha sete anos, ele se sentia gasto como um homem de quarenta e nove anos; aos onze, tinha desilusões de um velho de setenta e sete anos. Hoje, aos vinte e cinco, na expectativa de uma vida mais tranqüila, Antoine tomou a decisão de cobrir o cérebro com o manto da estupidez. Ele constatara muitas vezes que inteligência é palavra que designa baboseiras bem construídas e lindamente pronunciadas, e que é tão traiçoeira que freqüentemente é mais vantajoso ser uma besta que um intelectual consagrado. A inteligência torna a pessoa infeliz, solitária, pobre, enquanto o disfarce de inteligente oferece a imortalidade efêmera do jornal e a admiração dos que acreditam no que lêem.

Faz refletir sobre as implicações negativas (e não são poucas) pelas quais e inteligência é responsável, fazendo com que a ignorância seja valorizada sob um ponto de vista.

Indisciplinado

Desde que me entendo por gente tenho uma imensa dificuldade de me disciplinar; Me obrigar a fazer as coisas que não quero, terminar o que começo e persistir no que não vejo futuro (ao passo que minha visão de futuro é extremamente limitada). Nunca fui uma criatura perseverante nem tampouco esforçada. Janis sempre me dizia em uma de suas canções: "Try, just a little bit harder". Mas eu nunca dei ouvidos. Sempre fui um "give upper" assumido.

Na escola, sempre fui um bom aluno, adorava as aulas e me interessava por todas as matérias. A professora ensinava, eu aprendia, na hora da prova eu sabia e assim tirava sempre boas notas. Simples assim, sem precisar estudar. Isso perdurou somente até a 8ª série, no ensino médio tudo mudou. Os assuntos começaram a se aprofundar e eu não mais me interessava por todas as matérias. Física e Matemática (eu costumava adorar Matemática) se tornaram pesadelos. E nestas, para que eu tirasse boas notas, teria que de uma vez por todas estudar. Estudar como todos os outros alunos estavam acostumados a fazer desde sempre. Estudar como eu nunca havia feito. Eu chegava em casa, abria o livro, começava a ler e em poucos instantes já o estava usando como travesseiro. Assim eu ganhei uma dependência em Física no 2º ano e nenhuma em Matemática pois a professora teve pena.


Quanto a isso eu mudei um pouco, hoje existe uma exceção. Eu trabalho, não gosto mas preciso. É difícil para mim acordar todos os dias e por o pé na rua, mas não tenho outra opção (sempre se tem uma outra opção), pelo menos nenhuma viável. O ínfimo esforço que meu ser contém é todo usado no trabalho.

Foi em um de meus inúmeros momentos de desânimo que o seguinte tweet surgiu:

É preciso força e disciplina atroz para se fazer o que não se quer fazer, o que não se gosta de fazer. Só resta saber se isso é bom ou ruim.

Eu não sei dizer se ter a capacidade de obrigar-se é algo positivo ou negativo. Existe a possibilidade de que não gostar de algo, ou de fazer algo, seja nosso corpo opinando na nossa vida. Da mesma forma que existe a possibilidade de ser apenas preguiça e má vontade.

Gosto de pensar que falta de disciplina é a minha maneira de respeitar as vontades do meu corpo. Mas não ligo se encararem isso tudo como conversa de preguiçoso. Vai ver é isso mesmo.